
Anjo-web
Enquanto andava pelas ruas, pensou ele no dialogo que havia tido. Como ele poderia realmente acreditar, que há poucos minutos seu anjo da guarda lhe falava tão claramente. Uma coisa era certa, de fato, todo aquele dialogo continha um fundo de paz e verdade. Pensando desta forma, já não interessava se aquilo vinha de um anjo que falava ser seu, ou se simplesmente era apenas seu interior falando de forma clara e aconselhável a si mesmo. Isso não importava, por que o interessante estava no efeito e não na causa, ter ouvido ou pensando naquele momento tinha deixado toda a situação clara, de forma que agora os passos não seriam mais soltos, existia todo um contexto a seguir, baseado em raciocínio e numa lógica que parecia transcender aquela realidade. Neste momento, ele observa o quanto à rua está silenciosa, visto que em outros horários, aquele local era um caos. Neste ponto ele concorda com o suposto anjo, aquela era a ora certa, para observar detalhes em seu caminho que até então passarão despercebidos. Então, ele começou olhar os detalhes de um caminho que ele faz todos os dias, envolvido pelo silencio, percebeu coisas jamais antes vistas, dentre elas, a quantidade de placas de promoções estampadas nas lojas, o que leva a crer, que promoção hoje já virou algo normal e rotineiro, fazendo perder o sentido do que seria uma promoção, já que este tipo de propaganda é sempre constante deixando escassos os dias de preços normais. No entanto, não era exatamente isso ao que o anjo se referenciava, pouco importava os detalhes das lojas para o contexto de sua vida naquele momento, o importante era levar este raciocínio a si e tentar, em momentos convenientes de menos caos, observar ruas e lojas internas, ou melhor, perceber a si de maneira não possível em outros momentos. Ele sabia que mais importante do que perguntar é escolher as perguntas de maneira a surtirem resultados práticos, perguntar qual a melhor forma de entender aos outros, parecia-lhe um ponto de partida bastante interessante, muito embora a resposta tenha sido diferente, ele compreendeu que de fato a única maneira de conhecer aos outros é conhecer a si, como propunha o anjo, já que todos nós no fundo somos parecidos, visto que estamos expostos ao mesmos fatores externos e a uma cadeia pedagógica que organiza o conhecimento de maneira similar. Tudo aquilo, junto ao contexto do observar das ruas, trazia a ele uma espécie de conexão lógica, conforme o anjo havia falado. Porém, tomar a se como observação, seja a melhor maneira de começar a entender a si, isso não parecia tarefa trivial, uma vez que existem muitos detalhes nas ruas e avenidas. Isso pode até soar complicado, mais facilitar algo que é tão complexo, como o processo de interpretação pessoal, é perder informações acerca da complexidade humana, e olhando de maneira prática, ele sabia que embora muito estranho aquele caminho parecesse ter muito mais sentido que a tese proposta pelo o psicólogo de que, aquele aglomerado de dúvidas era stress.
O anjo havia falado que existem etapas que nos levam a um caminho seguro, a primeira delas é conhecer a si, pois só conhecendo a si, estaríamos seguros da solidão e do isolamento, porém além de conhecer a si, é necessário compreender. Existem muitas pessoas que conhecem sua realidade, mas não buscam compreendê-la, pois só desta forma tornaram a vida prática e suportável.
Chegando a casa, ele sobe rápido para que enfim, possa está no seu canto onde iria reavaliar toda aquela situação de maneira mais cadenciada, já que era comum sempre rabiscar em folhas de papel informações que de certa maneira lhe ajudavam a conectar todo o contexto…
Dialogo do anjo e a consciência.
O que me faz pensar ser consciente é saber que neste exato momento estou pensando, que posso ouvir minha própria voz. O estranho é que existe parte dessa minha voz interior que pareço não controlar e por mais que tente pensar em outra coisa, ela me atravessa a atualidade e me remete a idéias que não necessariamente eu queria pensar ou ver naquele momento. Quando pergunto algumas coisas que fora deste estado de busca interior não sei as respostas, aqui dentro a resposta vem logo após a pergunta e começo a me cogitar do porquê, de onde vem esse conhecimento e essa análise a qual não tenho acesso a todo o momento? Será que seria possível atingirmos estágios de pensamentos em que seja possível acessarmos informações que no cotidiano não estão disponíveis? Tudo isso parece estranho. No entanto me invade a cabeça que essa voz seja meu anjo, e muito embora não seja ela insiste que sim, porém neste momento não dar mais para distinguir muita coisa, me resta apenas observar o que tenho a falar para mim mesmo. Pergunto então para meu próprio eu qual é a melhor maneira de conhecer aos outros?
-A resposta é clara, basta conhecer si, isto é mais antigo que cristo, quando Sócrates já deixava isso bem claro. Conhece-te a te mesmo. Não porque isso seja bonito e elegante, é simplesmente por que por mais diferente que sejamos, pertencemos a bases estruturais iguais, então as pequenas variações de individuo para individuo não frustram tanto assim os resultados gerais, logo, conhecendo a si, teremos uma mapa padrão de qualquer indivíduo.
Surpreende-me que isso venha de mim e eu não tive acesso antes a uma informação tão clara…